quarta-feira, setembro 06, 2006


Beatriz, nome escolhido a dedo por seu pai, era uma mulher indubitavelmente esbelta, que apesar de já ter o título de trintona possuía uma fisionomia que fazia paralisar os inúmeros olhares que a assolavam na rua. Tinha uma estatura mediana, uns cabelos longos e aloirados que lhe completavam o rosto detentor de uns olhos azuis invulgares. Estes espelhavam o reflexo da luz, que parecia incomodá-la de quando em vez, como também reflectiam uma vivacidade marcante capaz de lhe inundar a alma. A silhueta, na qual lhe oscilavam as ancas, tinha um bailado encantador.
Agora, a uma semana de completar o seu trigésimo primeiro aniversário, encontrava-se recostada no cadeirão da sua ampla sala, enquanto desfolhava as páginas de um livro. Reencontrou-se nos seus dezassete anos. Naquela época da sua adolescência, era uma menina frágil que se afigurava indefesa. Os seus pais incutiram-lhe valores conservadores, que aceitara com evidente esforço.
Porém, não eram estas ideias que estavam a mil dentro de si mas aquilo que jamais poderia esquecer, o seu primeiro grande amor. Assaltavam-na pensamentos tão velozes e brumosos que se tivessem corpo e alma seriam certamente um larápio preponderante. Tinham passado treze anos, número indigesto, desde a última vez que fora forçada a separar-se de Pedro. Seu pai exigira-lhe que o fizesse argumentando que aquele rapaz lhe traria, mais tarde ou mais cedo, cicatrizes imperecíveis. Inicialmente esperneou, blasfemou e revoltou-se contra a posição de seu pai e na clandestinidade continuou por mais três meses os encontros com Pedro. Por entre a desculpa de uma ida até à casa de Maria, a sua melhor amiga, ou um passeio aparentemente singular no terreno adjacente à sua casa, via-o quase diariamente. Cada encontro entre ambos era um porto de abrigo que os fazia sentir soberbamente isolados do mundo. Aquilo que os unia não era o simples desejo que nutriam um pelo outro, era a autenticidade dos sonhos que compartilhavam, era a vontade que sentiam de partir à aventura do mundo e deles mesmos.
Na tarde de vinte e um de Agosto, tinham planeado como das outras vezes encontrarem-se. Porém, a inquietude de Beatriz levou a que seu pai acabasse por lhe descobrir os planos. Apesar de Pedro a ter esperado horas a fio no recate de uma árvore, Beatriz não apareceu nem nas horas, nem nos dias, nem nos anos seguintes. A partir daquele dia foi importada para Lisboa como se de um objecto se tratasse.
Um vento frio afrontou-lhe o rosto e rapidamente o seu pensamento regressou à cadeira onde estava encostada. Nunca mais o sentimento que sentiu por Pedro lhe tinha voltado a apertar o coração e, por isso, a sua companhia era apenas as paredes daquela espaçosa mas vazia casa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Mais um tema interessante que esta menina com um coração do tamanho do Sol, traz à ribalta!!!! Sabes o quanto admiro a qualidade e variedade da tua escrita!!! Este tema não é excepção!!! Enfim... que as pessoas aprendam de uma vez por todas a não se meterem no meio de um pseudo casal feliz! Deixem que a vida lhes mostre ou não, se foram feitos uns para os outros ou não!! Se bater-mos com a cabeça, é da nossa responsabilidade!!! E não porque a Mãe, o Pai, ou piriquito se meteram.... Beijinho gigante desta pessoa que ADORA ler as tuas news!!!!!

mimi disse...

fdx x tu na comexax a penxr em xkever um livro ou ir pa jornalixmo dou t um tiro adrt miga adorei a hixtoria...