Quando se aprende a deixar espaço para que os outros gostem de nós, ou não, também se aprende a existir. Se todos os acenos tivessem a mesma carga, o umbigo era exactamente o mesmo a cada dia. Mas, não o é. Nem por sombra.
Há qualquer coisa de muito diferente em olhar uma pessoa nos olhos ou acenar-lhe ao longe. Mandar um beijo sabe a pouco. Recebê-lo torna-o distinto.
Se a fruta amadurecesse toda na mesma época do ano, desaparecia o motivo de a ter de esperar. E o motivo, esse, pode trazer o encanto.

ao play vezes e vezes sem conta. Mas depois, quando vem a fase de ouvir o cd de empreitada, aprende-se a gostar de um pormenor aqui e outro ali. Descobre-se que, afinal, todas elas têm qualquer para dar. Algo que nos faz esboçar um sorriso daqueles. Existem pormenores que nos prendem ao ínfimo de nós, a momentos. Que nos fazem existir para além do aparente.

