sexta-feira, junho 01, 2007
quinta-feira, maio 24, 2007
Conheciam-se um ao outro de forma verdadeiramente genuína, porque tinham uma coisa em comum, talvez a única, não abdicavam da sua liberdade. Ele aventureiro. Ela pouco dada a novas descobertas.
Estavam, agora, casados há oito anos. Não tinham filhos, por opção. Tinham concordado dar prioridade à carreira e um dia, quem sabe, pensariam nisso. Debatiam coisas banais, discordando da maior parte, mas entendiam-se como ninguém. Nutriam entre si um respeito sólido. Respeitavam o espaço de cada um e deixavam-se respirar mutuamente. Ambos bonitos e inteligentes.
Numa tarde, Laura chegou a casa e procurando, em vão, por Diogo, apenas encontrou umas linhas, meio esborratadas, numa folha solta em cima da cama.
“Querida Laura, há momentos na vida em que nos perguntamos se somos felizes. Acenamos a nós mesmos, num gesto fortuito para nos tentarmos convencer que sim. Mas sabemos que não. Pelo menos não tanto como desejaríamos. A felicidade não pode ser feita de metades, que sabem sempre a pouco. É preciso tudo. O inteiro.
O nosso casamento foi a melhor coisa da minha vida. Mas, minha querida, quero mais. Não tem a ver contigo, porque sempre foste uma companheira exemplar. Tem, somente, a ver comigo. Aos planos que sempre me habitaram, e que pensei ser possível deixar para amanhã. Hoje decidi não adiar mais, para não morrer, anestesiado de mim e esvaindo-me aos poucos, gota-a-gota. Sufocar-me-ia de tanto desejo.
Não me esperes. Talvez um dia volte, com feridas abertas e cicatrizes feias. Talvez. Não sei. Por agora, quero deixar ferir-me. A dor é passageira, e a vida movediça.
Não duvides que te amo. Por isso, não vou embora com ninguém. Nem poderia. Vou, somente, por mim. Por ti. Por nós. Vou só ali, voar nas asas do amanhã. Numa rota não traçada e deixada ao acaso.
Desculpa, se é que me é permitido dizê-lo.
Um beijo.
Diogo.”
Quim Barreiros na versão sofista
"Façam filhos!"
Sim, a malta faz e ele dá-lhes a papinha e afins. Negócio fechado.
segunda-feira, maio 21, 2007
Elixir para o EGO

Again
domingo, maio 20, 2007
domingo, maio 13, 2007
Artic Monkeys

Pois...
quinta-feira, maio 10, 2007
domingo, maio 06, 2007
Assim é que eu gosto!

sábado, maio 05, 2007
Sábado à noite no ponto!
sexta-feira, maio 04, 2007
Assim... sim!
terça-feira, maio 01, 2007
Post para maiores de dezoito, ou por aí
E...
-Sara, como é, vamos bater aí o mato de bicicleta?
-Pah, não posso. Até me podia doer o tendão de Aquiles, mas nem é o caso."
-Então?!
-Aquela mulher de cabelo preto e pele de subterfúgios, lembrou-se de marcar teste para quinta-feira!
-Ora gaita!
(...)
PIIIIIIM! Apetece-me dizer:
"Foda-se"! (Só para ti, abelhO!:D)
Andorinhas e outras coisas mais

Quem foi que disse que uma imagem tem de ter a ver com o texto? Pois, desenganem-se.
O facto é que o sol lá fora está com uma timidez desnecessária e senil. Outro facto ainda, já para além dos parâmetros da senilidade, é que há gente, dessas que são muito sortudas e tudo, que não podem sair de casa nem para ver as andorinhas. A não ser que as avistem da janela.
Os motivos? São muitos, tantos que se tropeçam uns nos outros, e chegam a ferir-se no alcatrão. Pois é, por estas e por outras tantas, parece que tenho de ir para ali espreitar as páginas de dois livros giríssimos e bem-apessoados. Amanhã é outro dia, com outro sol (espera-se), outros livros e, quiçá, com as mesmas andorinhas. Será?
É isto
É por encontrar frases como estas, que me dá um prazer vertiginoso deambular por aí.
segunda-feira, abril 30, 2007
Esta coisa ruim dos números

domingo, abril 29, 2007
Martelo a conta-gotas

Sentir é parecido com isso. Há sorrisos aparentes, confundidos com os apeadeiros em que me habituei a sentir-te.
Depois, permanecem somente vácuos. Neles, o som dissipa-se porque tu deixas de existir. Escondeste-te onde desisti de te procurar. Fazê-lo é imperativo quando o cansaço dá lugar à necessidade, na qual subsistem esforços necessariamente fúteis, travados numa luta desigual. Os obstáculos são saudáveis antes de ganharem raízes. A seguir a isso, apodrecem numa tentativa frustada de sobrevivência. Nesse momento, a inteligência elimina-os soberbamente.
Se as armaduras desse teu mundo, suportassem mais do que o teu frágil corpo, espremido de tanto cansaço inglório; as movediças aragens onde te perdeste de vista; os restos do teu carrossel; talvez valesses a pena por ti mesmo. Não por mim.
Saberás existir para além da moldagem a que te habituaste? E se amanhã, ao acordares, já não tiveres lugar para ti em ti?
sábado, abril 28, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Perfeição
domingo, abril 22, 2007
Visita Pascal
Nunca um sacerdote cá tinha passado por casa, desde que me lembro. Calhou hoje. Benzeu a casa, convidou-me a beijar a cruz e, por entre dois dedos de prosa, regalou-se a comer o lancezinho que a minha mãe lhe tinha providenciado.
O meu pai não estava em casa. Nunca foi senhor de ser ligado a estas coisas da igreja, pelo que não fez questão de cá estar.
Foi basicamente, um fim de tarde diferente.
quarta-feira, abril 11, 2007
Hoje aprendi uma coisinha
quarta-feira, abril 04, 2007
Hã?!
sábado, março 31, 2007
Foi bom. Muito bom.

Lembro-me que havia um castanheiro enorme, com largos anos de existência, detentor de uma sombra majestosa. Mas, não era pela sombra que lá gostava de passar. Atraíam-me as castanhas espalhadas no chão do Outono que principiava. Confundiam-se por entre a erva que começava a fraquejar e a perder a cor.
Ontem voltei a fazer este trajecto com o meu pai. Fomos com o intuito de apanhar agriões. Calcei os botins, saltei para a água e apanhei uns quantos.
Tinha saudades de ir ali abaixo respirar outro ar, sujar-me de erva, molhar-me.
sexta-feira, março 30, 2007
terça-feira, março 27, 2007
O que vale é que o Zé Povinho come tudo!
Gente formada, desce ao ponto de participar nisto, onde a falta de qualidade é demasiado evidente. Não consigo perceber. Caminhamos para a estupidez abusiva e ninguém me avisou.
Este povo come, miseravelmente, tudo. As séries dignas como o House dão a horas tardíssimas, mas este estupendo programa, passa em horário nobre. Isto é no mínimo fantástico. Palavra que é!
domingo, março 25, 2007
Sonho
Chegamos? Não chegamos.
Sebastião da Gama (Séc.XX)
segunda-feira, março 19, 2007
Vómitos publicitários
Falo da propaganda a produtos, nos quais se faz uma dobragem da voz. Isto porque se a original fosse mantida, o Zé-povinho como não percebia um cu daquilo, não comprava. Não é que assim perceba, mas soa-lhe bem.
É o caso dos cosméticos em que se emagrece sem mexer uma palha. Além da publicidade em si ser tão fútil que leva o meu cérebro para a senilidade, aquela voz insonsa que é um puro incentivo à estupidez gratuita, atrofia-me o sistema todo. A falta de originalidade é tal, que se o alvo fosse as crianças, desconfio que o “brinquedo” não saía das prateleiras do supermercado!
Pelo amor da Santa, acreditar no pai Natal ainda é como o outro. Agora nestas publicidades que são literalmente um bombardeamento com uma mensagem nas entrelinhas do género: “ligue já! O produto é uma merda mas eu sou mesmo boUa e tenho uma voz de veludo”, isso se calhar é como ter um carimbo “Sou estúpido todos os dias sem feriados!” estampado na testa, e pensar que é só uma comichãozinha sem importância.
sexta-feira, março 16, 2007
Armário Intrínseco
Estar incerta de conseguir uma coisa que se quer é tão desconfortável, que dói pensar nisso. Dói não haver a coragem necessária para a sacudir, dói mastigar e rebater a imprecisão, dói a ausência de uma resposta concreta. Dói!
É só nostalgia?
quinta-feira, março 15, 2007
Feliz aniversário, pai!

Pedaços de uma vida
Sorrisos soltos
Caprichos de criança
Ensinamentos sábios
Tardes primaveris
Coisas banais
Incentivos
Indirectas necessárias
Descontentamentos
Birras
E tanta coisa mais. Por todas elas e por ti: Parabéns Pai!
12-03-2007
domingo, março 11, 2007
Música portuguesa
Porque se há coisa que eu detesto é anglofonia excessiva, aqui fica uma música portuguesa que dispensa apresentações.
quinta-feira, março 08, 2007
quinta-feira, março 01, 2007
Axioma
"A maioria das mulheres não é mais interessante porque não está para isso.
A maioria dos homens não é mais interessante porque não consegue."
Encontro por aí alguns factos. Nestes dias, ouvi mais este.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Intermitências
Não é que as perguntas mudem com o tempo, mas as respostas, por vezes, são diferentes do tempo e no tempo. Talvez mudem por alguma razão que me escapa, talvez me encarem para se mostrarem bravas. Talvez isto ou talvez aquilo. A quantidade do talvez, oscila entre as brumas de uma querença e o maremoto da soberania. Talvez o acolá, ali, seja uma certeza incontestável. Porém, aqui, a escassos metros do que quer que seja, faz-me assim. Traz-me, molda-me e edifica-me.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Coisas boas da vida
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Realmente, há coisas fantásticas!




















Só porque a virilidade, de facto, é talvez a oitava maravilha do mundo, aqui ficam alguns exemplares. É pena não poder pôr todos. Mas fico certa de que os que faltam, estão bem representados.
Qual euro milhões qual quê, pah! Não custa sonhar... ;)
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Dia oficial da materialização de sentimentos
Cortesias forçadas.
Gestos confundidos com as normas impostas.
Presentes estipulados.
Carinhos programados.
Mel e mais mel.
Tretas.
É o que este dia é: uma treta!
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Finalmente SIM!
Somos pequeninos, caminhamos devagarinho, contudo chegámos lá. Bem-haja!
domingo, fevereiro 11, 2007
Votei SIM. Porquê?
A pergunta em causa é:
Há uma clara subdivisão da questão em quatro perguntas:
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez?
Não se trata de liberalizar o aborto ao despenalizá-lo, trata-se apenas de não punir uma mulher se tiver decidido abortar. Liberalizar é dar com liberdade. Se despenalizar fosse equivalente a liberalizar, então estaríamos num pressuposto moral não ultrapassável. Não creio, que assim seja. É antes uma questão de saúde pública.
Votar não, é penalizar e proibir. Votar sim, é dar a possibilidade de escolha. Esta proibição, transporta um imperativo mais moral do que outra coisa. E a moral é no mínimo subjectiva. Portanto, não é de facto a melhor solução, porque assim fosse abrangeria todas as situações.
Se realizada por opção da mulher?
Se não for a pedido da mulher, é a pedido de quem? Não se trata de a mulher ser dona suprema da sua barriga ou não. O que não pode acontecer é relativizar-se o conceito de vida. Quer se aborte em caso de deficiência grave do feto, violação, ou por motivos de risco de vida para a mulher, a verdade é que se aborta. Será um feto, nas situações anteriormente descritas, menos vida do que um dito normal?
Este é o grande motivo de eu votar sim.
Nas primeiras dez semanas?
Desde 98 que abortar independentemente da semana de gestação, é ilícito. Mais do que isso, é clandestino. Inúmeras são as pessoas que vivem deste negócio nas malhas da clandestinidade, edificando verdadeiras fortunas sobre aquilo que o estado não aprova: a liberdade de abortar. Ironicamente, acaba por as de tratar no SNS, com o dinheiro dos imposto dos cidadãos, quando a clandestinidade não corre bem.
Em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Os profissionais de saúde que se manifestam contra o aborto, procuram camuflagem em termos numéricos. Se olharmos para as estatísticas, facilmente se verifica que hoje, apenas 15% dos abortos acontecem no estrangeiro, em clínicas privadas, pagas a preço de ouro. Por quem pode, claro está. Dos que são feitos em território luso, a maioria já é realizada em estabelecimentos de saúde: 32,2% em clínicas privadas, 18,2% em consultórios médicos, contra uma minoria de 6,9% feita em hospitais públicos. Apenas 39,4% dos abortos são realizados em casas particulares. A lei é clara, quando exige que os abortos nos casos que fogem ao já estipulado, sejam punidos com prisão. Curiosamente, 45% destes são feitos pelos senhores doutores, contrapondo os 30,6% que são executados por parteiras. Caricatamente, tudo isto quando abortar é crime a diversos níveis. Além do referido, 22,7% das mulheres obtiveram informações sobre o local clandestino onde poderiam abortar, por intermédio de um profissional de saúde. Uma autoridade na matéria, portanto. E quando é uma autoridade a manter a ilicitude da sua conduta, então pouco mais haverá a acrescentar.
Nesta óptica, ninguém me pergunta:
Quando começa a vida?
Abortar é matar?
Concorda com o referendo?
Deverá ser uma mulher absolutamente dona do seu corpo?
Se estas questões não estão no debate, usá-las como argumento não me parece válido.
Pelo referido anteriormente, o SIM pareceu-me o mais razoável.
sábado, fevereiro 10, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Dois ó!
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Grande reportagem
No passado domingo, tive ocasião de ver a reportagem, da sua autoria, intitulada de “Rosa Brava”. De facto, é uma grande reportagem.
Aqui
domingo, fevereiro 04, 2007
Assim... oficialmente virulenta

Agora com este arsenal de medicamentos, algum me há-de fazer efeito. Pelo menos assim espero. Se não, dias difíceis se afiguram e é capaz de ser chatinho! Mas como há sempre um lado positivo da questão, amanhã faço gazeta à escola. Aliás, vai ser a primeira vez na vida que vou faltar à escola por estar doente. Não sou muito disso, mas lá calhou.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Fantástico!
domingo, janeiro 28, 2007
Outros tempos, outros amores...
“Menina Conceição, levarei rodas de parvo por lhe escrever, mas prefiro correr esse risco do que sepultar à nascença estas palavras em mim”. Depois continuava com uma subtileza que hoje em dia tenho dificuldade em encontrar. Linha após linha, notei por detrás daquelas locuções, um sentimento coeso. Não eram palavras soltas ou dizeres alheios cujo único intuito é encher o papel, pois estava tudo encaminhado de tal forma que me causou um friozinho na barriga. Era nítido o carácter viril da época, saltando à vista uma educação requintada. Terminava com a seguinte frase: “Não tenha vergonha de falar comigo no fim da missa. Lá a aguardarei”.
Após ter lido aquela inconfidência, já desgasta pelo tempo, olhei para a minha avó e antes de qualquer tentativa de comentário, ela esboçou um sorrriso comedido e disse-me: “Já lá vão uns anos, mas fiz questão de a preservar”.
A carta deu em namoro, mas não em casamento. Coisa rara na época. Tentei averiguar o motivo do rompimento da relação, ao que conclui que a força desmedida dos meus bisavôs para que tudo terminasse, foi superior a qualquer sentimento. O homem daquela gentileza toda morreu e os meus avós acabaram por se casar.
Fiquei a pensar em muita coisa, como no suporte de uma relação apenas consumada à janela ou eventualmente por esporádicas visitas a casa, sob a alçada minuto a minuto dos pais.
Em pouco mais de sessenta anos, o mundo deu uma reviravolta gigantesca. Hoje já ninguém namora à janela, nem tão pouco vai à missa com um lenço na cabeça. Mas será que o amor naquela época não era, realmente, à prova de bala?
Actualmente, a facilidade das coisas e a leviandade da própria maneira como se gosta para no “minuto” seguinte se ser indiferente, destruiu grande parte da beleza que o amor acarreta.
domingo, janeiro 21, 2007
Por estes dias... esta
The Kooks - She Moves In Her Own Way
So at my show on Monday
I was told that someday
You'd be on your way to better things
It's not about your make-up
Or how you try to shape up
To these tiresome paper dreams
Paper dreams honey
So now you pour your heart out
You're telling me you're far out
You're all about to lie down for your cause
But you don't pull my strings
Cause I'm a better man
Moving on to better things
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
And at the show on Tuesday
She was in her mindset
Tempered firs and spangled boots
Looks are deceiving
Making me believe it
And these tiresome paper dreams
Paper dreams honey, yeah
So won't you go far
Tell me you're a keeper
You're all about to lie down for your cause
But you don't pull my strings because
Cause I'm a better man
Moving on to better things
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
Yes our wish's that we never made it
Through all the summers
We kept them up instead of
Kicking us back down to the suburbs
Yes our wish's that we never made it
Through all the summers
We kept them up instead of
Kicking us back down to the suburbs
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
Neste solarengo domingo de Inverno, acordei com uma vontade louca de ouvir esta música. Tudo nela é um brinquinho: os meninos, a letra e o ritmo.
sábado, janeiro 20, 2007
Abaixo esses ingredientes senis!
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Casualidades

A saudade deve ser a via mais longa e íngreme de se percorrer. Por maior que seja o fôlego, a combustão imobiliza qualquer tentativa de avanço. A certa altura, andamos só para vencer o frio. Reparamos que as mãos têm frieiras, o rosto está polido devido à gélida aragem e os pés teimam em renunciar ao peso do corpo. Somos atirados para a valeta sem que nada nem ninguém nos tenha empurrado. Só quando ouvimos o barulho dos que passam pelo alcatrão na via principal esquecendo as valetas, é que compreendemos que seríamos lixo comum, caso tudo se resumisse a uma única estrada onde as abas não encontrassem local para existir e, na qual, as valetas fossem apenas um pedaço a amputar.
Os dias vão, levando consigo a vontade e deixando somente um corpo entregue ao fracasso carnal. Posteriormente, numa qualquer hora de ponta apanhamos boleia. Contudo, temos peso a mais connosco para poder avançar. Por isso, vamos progressivamente eliminando o que nos parece estar só por estar. Se ao menos fôssemos um usual baú, cujo conteúdo estivesse a abarrotar de coisas que facilmente se confundissem entre tantas outras, poderíamos desde logo seguir viagem. Mas não, porque é no umbigo de uma espécie de morfina que encontramos guarida.
Por fim, quando tudo se resume à incapacidade de sequer soltar um grito, ficamos a meio do caminho e isso pouco interessa, pois já perdemos muito mais do que carga física. Perdemo-nos. Perdi-te.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Coisas minhas
Gostos confundidos, recantos não partilhados, insignificâncias que só a vida me conhece. Assim, só assim. Neste vagão pouco nítido, indago o meu ser com diligência. Sou um apêndice consentido no mundo e ele meu. Estamos em simbiose nos secretismos aparentemente fúteis. Torno-me eu nas noites recatadas, nos sorrisos rasgados, nas estrelas que não dependem, um só instante, de mim. De mim para mim, não há um espaço mensurável, nem uma comunicação falhada. Há intermitências escondidas, que desfolho e por vezes sei de cor.
Procuro-me e deixo que me procurem. Em mim pelo que sou, fora de mim pela dose que me administram. Gosto-me. E não sei gostar não amando a entrega, onde não me dou por exigir estar de corpo e alma. De corpo no desejo e de alma no empenho.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Memória de elefante
Bom, isto foi somente a página doze. Veremos o que me espera nas outras. Mas tem pinta, diga-se.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Zé-povinho, ciência e deus
Ora, assim sendo, o deus do Zé-povinho não é o mesmo deus da ciência. O Zé-povinho, que é a figura elucidativa do vulgo, crê no mistério da vida segundo Jesus Cristo. A ciência escarnece o Zé-povinho e mostra-lhe que Adão e Eva não são mais que uma mera parábola. Ao que ele ri, pestaneja e só não solta uma palavra indecorosa porque é bem-educado. Mas, pensa para consigo, que com estas ideias, afirma ele novatas, o mundo caminha para uma ida sem retorno. Uma ida à heresia abusiva. É a mesma coisa que dizer a uma criança do primeiro ano que também existem números negativos. Ele certamente olharia com o espanto próprio da idade e não compreenderia. Afinal o mundo dos crescidos não o seduz grandemente.
Contrariamente a este, o deus da ciência é um deus anti senso comum. Se troveja não é porque Jesus está a ralhar. Chove porque é uma questão de equilíbrio natural e indispensável. A perfeição desse deus está, portanto, na complexidade da vida. Do planeta que nos alberga e do resto do tal todo. Agora o todo faz sentido, por não ser taxativamente o que resta das outras partes que não estão incorporadas na somatória. Interessa rebuscar, procurar, investigar com fracassos desmedidos ou pequenos triunfos. Estaríamos na idade da pedra se não se tivesse acreditado que era possível ir à lua. Mas, a verdade é que se avançou quer fosse a medo ou com coragem gratificante. Fomos à lua e viemos. Pisámos o universo além Terra. Ousámos contestar as leis que durante muito tempo estiveram sob domínio teoricamente não alcançável, apenas como constituinte do segredo do(s) deu(s). A ciência acredita no não crível e sustenta as bases dessa crença, não mítica mas terrena.
Assim, a ciência e o Zé-povinho, duas formas distintas de crer na existência, poderiam completar-se mas estão em campos não complementares e, possivelmente, sisudos. Esta e o conhecimento vulgar representam, talvez, a matéria mais discordante que a humanidade conhece. Contudo, nascemos para o senso comum, mas é com a ciência que vivemos.
Não obstante, todas as nações acabam por se objectar acerca da vida para além da morte. Aqui não entra nem Zé-povinho nem a ciência, pelo menos directamente. Morreremos apenas para dar lugar aos outros ou partiremos para outra morada não perecível? É precisamente neste ponto que há necessidade de acreditar no que não se vê.
A vida não depende de quaisquer crenças. Gira por critérios bem definidos e por vezes desconhecidos. Rege-se por si, não necessariamente por alguém. Aprendeu sozinha como se construir e como construir os outros. Dia após dia tem mutações, mas nunca deixa de ser o leme de tudo. E, quando o homem a quer igualar, ela cinge-se à sua infinita grandeza e reduz esta criatura à insignificância do seu ser. Mostra-se secreta em alguns domínios como o da morte ou não vida. Verosimilmente até nem tem secretismo algum porque não tem de haver, por força da obrigação, vida depois desta que nos constitui. Haverá, no entanto, sempre a necessidade de acreditar que sim. Já dizia António Gedão: “ O sonho comanda a vida”.
Alimentar a crença num deus, é alimentar a pequenez humana tentando sobrepujá-la a um plano divino de perfeição, não atingível. Contudo, a necessidade agudiza o desejo e fá-lo sustentar, desmesuradamente, a crença no invisível afim de apaziguar limitações humanas.















