sexta-feira, junho 01, 2007


Estou, assim, à espera. De uns instantes arrancados a quase nada. A ti. A mim. A tanta coisa. Talvez até a uma imensidão de pedaços amputados, que parecem inteiros. Só não o são, porque não estás lá.
Parece que tudo vai num sopro, só porque o pensamento me leva para tanto lugar. Poderei ser movediça, mas rejeito arrastar-me. Não quero ir sem causa. Para isso, prefiro ficar sem motivo num qualquer pôr de sol. Por aí. Sabe Deus onde, provavelmente em lugar nenhum. Só ao prazer das imagens que correm velozes, acenando-me numa despedida fortuita. Deixá-las ir é imperativo. Ficar é necessário. Respirando, também se sente muita coisa. Tanta que lhe perco o conto.

quinta-feira, maio 24, 2007

Laura e Diogo, possuíam amigos comuns. Numa tarde primaveril, acabaram por se cruzar. De conhecidos rapidamente se tornaram amigos. De amigos evoluíram para companheiros. A partir daí, a vida encarregou-se de os juntar.
Conheciam-se um ao outro de forma verdadeiramente genuína, porque tinham uma coisa em comum, talvez a única, não abdicavam da sua liberdade. Ele aventureiro. Ela pouco dada a novas descobertas.
Estavam, agora, casados há oito anos. Não tinham filhos, por opção. Tinham concordado dar prioridade à carreira e um dia, quem sabe, pensariam nisso. Debatiam coisas banais, discordando da maior parte, mas entendiam-se como ninguém. Nutriam entre si um respeito sólido. Respeitavam o espaço de cada um e deixavam-se respirar mutuamente. Ambos bonitos e inteligentes.
Numa tarde, Laura chegou a casa e procurando, em vão, por Diogo, apenas encontrou umas linhas, meio esborratadas, numa folha solta em cima da cama.

“Querida Laura, há momentos na vida em que nos perguntamos se somos felizes. Acenamos a nós mesmos, num gesto fortuito para nos tentarmos convencer que sim. Mas sabemos que não. Pelo menos não tanto como desejaríamos. A felicidade não pode ser feita de metades, que sabem sempre a pouco. É preciso tudo. O inteiro.
O nosso casamento foi a melhor coisa da minha vida. Mas, minha querida, quero mais. Não tem a ver contigo, porque sempre foste uma companheira exemplar. Tem, somente, a ver comigo. Aos planos que sempre me habitaram, e que pensei ser possível deixar para amanhã. Hoje decidi não adiar mais, para não morrer, anestesiado de mim e esvaindo-me aos poucos, gota-a-gota. Sufocar-me-ia de tanto desejo.
Não me esperes. Talvez um dia volte, com feridas abertas e cicatrizes feias. Talvez. Não sei. Por agora, quero deixar ferir-me. A dor é passageira, e a vida movediça.
Não duvides que te amo. Por isso, não vou embora com ninguém. Nem poderia. Vou, somente, por mim. Por ti. Por nós. Vou só ali, voar nas asas do amanhã. Numa rota não traçada e deixada ao acaso.
Quero mais de mim. Quero ser eu, sem amputações. Procuro-me, e deixo-te espaço para que te possas achar: a ti e à felicidade de que és merecedora.
Desculpa, se é que me é permitido dizê-lo.
Um beijo.
Diogo
.”

Quim Barreiros na versão sofista

Deixo-vos a grande frase deste senhor:

"Façam filhos!"

Sim, a malta faz e ele dá-lhes a papinha e afins. Negócio fechado.

segunda-feira, maio 21, 2007

Elixir para o EGO


Hoje, depois de ter almoçado, fui tirar um cafezinho.

Quando o levei ao meu pai, ouvi uma espécie de obrigada, que soou assim:



" - Oh filha, tás a ficar gordinha!"



Isto foi dito assim. A seco. Com a mesma convicção de quem dá uma palmadinha no ego, com todos os dedos da mão, bem vincadinhos.

Obrigada pai!

És um cavalheiro.

Se eu fosse menina de ter problemas de afirmação, encontrar-me-ias com os pulsos já em estado interessante.

Tipicamente, à estrela Pop-rock! :P

Mas são SÓ 57kg pra 1.65m.

Por enquanto, ainda podes dormir descansado, que não tens uma filha obesa. Mas põe-te a pau, porque o "por enquanto" é inconstante.

São vidas!

Again

FCP... again! Há que felicitar o mérito.
Só acho curioso, muito mesmo, como é que em noite de título portista, pouco mais se ouve nas ruas da invicta, do que um clã amargurado a gritar o nome do SLB, de maneira inglória.
Na minha concepção das coisas, festeja-se o título e não se anda em oblação contínua aos outros. É, assim, que manda a tradição.
Mas, o Benfica, é grande em tudo. Mais ainda, nas horas em que os adeptos alheios, deixam de felicitar o seu clube, para gritarem só um nome: "BENFIIIIIIIIIIIIIIICA!"
Interessante.
Muito.
Mas muito mesmo.

domingo, maio 20, 2007

Destaque

Tenho mais um primo na família.
Nasceu ontem.
Assim, sim... =)

domingo, maio 13, 2007

Artic Monkeys


Estes senhores, Artic Monkeys cujo nome dispensa apresentações, estarão no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, dia 18 de Julho.
Cheira-me que vai ser uma noite daquelas que ficam na memória para a posterioridade.
Cheira-me, também, que não estarei na primeira fila, só se não puder.
Um concerto a não perder, de facto.
Fica então uma música que adoro. Oiçam um bocadinho, se vos apetecer.
Arctic Monkeys - When the sun goes down
Who's that girl there?
I wonder what went wrong
So that she had to roam the streets
She dunt do major credit cards
I doubt she does receipts
It's all not quite legitimate
And what a scummy man
Just give him half a chance
I bet he'll rob you if he can
Can see it in his eyes,
That he's got a driving ban
Amongst some other offences
And I've seen him with girls of the night
And he told Roxanne to put on her red light
It's all infected but he'll be alright
Cause he's a scumbag, don't you know
I said he's a scumbag, don't you know!
Although you're trying not to listen
Overt your eyes and staring at the ground
She makes a subtle proposition
"Sorry love I'll have to turn you down"
He must be up to something
What are the chances sure it's more than likely
I've got a feeling in my stomach
I start to wonder what his story might be
They said it changes when the sun goes down
Around hereLook here comes a Ford Mondeo
Isn't he Mister Inconspicuous?
And he don't have to say 'owt
She's in the stance ready to get picked up
Bet she's delighted when she sees him
Pulling in and giving her the eye
Because she must be fucking freezing
Scantily clad beneath the clear night sky
it doesn't stop in the winter, no
Around here
They said it changes when the sun goes down
Over the river going out of town
What a scummy man
Just give him half a chance
I bet he'll rob you if he can
Can see it in his eyes that he's got a nasty plan
I hope you're not involved at all

Pois...

Com a vossa licença, amanhã vou ibernar. E a justifiacação é muito simples: teste de matemática.
Que sacrilégio!
Quando estiver restituída do choque, voltarei à carga. Até lá, espero que o meu miocárdio seja rijinho o suficiente para resistir ao massacre arrebatador da sopa de números.
P.s: Ando a ficar craque no domínio das quatro rodas da moto4. Pois, ou então, não...
Assunto a debater noutra ocasião.

quinta-feira, maio 10, 2007

Muse - Starlight




Existem músicas boas. Fora essas, existe esta que transcende, em muito, o bom.

domingo, maio 06, 2007

Assim é que eu gosto!


Descobri, há pouco, no telejornal, que hoje é o dia mundial do riso.
Gosto de sorrir. Às vezes por fora, outras vezes por dentro, outras ainda sem local definido. Sobretudo, sorrir sempre com alma.
Esta imagem, poderia ser o meu protótipo. A fisionomia é diferente, mas o espírito é semelhante.
Já sorriste, realmente, hoje?

sábado, maio 05, 2007

Sábado à noite no ponto!

Num sábado à noite faz-se muita coisa. Outras deveriam ser expressamente proíbidas. Mas não são, e para contar a história cá estou eu.
Toda a gente por aí. Ele é jantares não sei do quê, ele é discotecas ao rubro, ele é gargalhadas das que fazem bem ao ego, ele é copos, ele é queima, ele é blá blá blá. E Sara onde, onde... ONDE? Agarrada ao pc. Mas que bonito!
Bem podia ficar aqui a reclamar o resto da noite mas, o relatório, gosta muito de sentir a pressão dos meus dedinhos no teclado. Como sou boa cachopa, vou fazer-lhe a vontade.
Vou tratar-lhe da saúde, se alguém quiser ajudar, o nº da porta é o... Ah... tou com pressa!
Até já! =)
(Hoje deu-me para me iniciar nesta coisa dos Marcadores e o caraças. Tá bonito, tá!)

sexta-feira, maio 04, 2007

Assim... sim!





E porque uma gaja que se preze também gosta de carros, aqui está o protótipo que me corta a respiração. Pequenino e muitíssimo jeitosinho. Gosto!
Mini cooper. Ah valente!
Não há para aí um a mais na vossa garagem, não? É que na minha cabia na perfeição. ;)

terça-feira, maio 01, 2007

Post para maiores de dezoito, ou por aí

Toca o telemóvel...
E...

-Sara, como é, vamos bater aí o mato de bicicleta?
-Pah, não posso. Até me podia doer o tendão de Aquiles, mas nem é o caso."
-Então?!
-Aquela mulher de cabelo preto e pele de subterfúgios, lembrou-se de marcar teste para quinta-feira!
-Ora gaita!

(...)


PIIIIIIM! Apetece-me dizer:

"Foda-se"! (Só para ti, abelhO!:D)

Andorinhas e outras coisas mais


Quem foi que disse que uma imagem tem de ter a ver com o texto? Pois, desenganem-se.
Ora, portanto, fazendo contas, hoje é feriado e início de mais um mês. Isto dito assim até parece que é só mais um dia de hibernação do PIB. E se calhar é mesmo. Mas isso agora não interessa nada, como outrora se aclamou.
O facto é que o sol lá fora está com uma timidez desnecessária e senil. Outro facto ainda, já para além dos parâmetros da senilidade, é que há gente, dessas que são muito sortudas e tudo, que não podem sair de casa nem para ver as andorinhas. A não ser que as avistem da janela.
Os motivos? São muitos, tantos que se tropeçam uns nos outros, e chegam a ferir-se no alcatrão. Pois é, por estas e por outras tantas, parece que tenho de ir para ali espreitar as páginas de dois livros giríssimos e bem-apessoados. Amanhã é outro dia, com outro sol (espera-se), outros livros e, quiçá, com as mesmas andorinhas. Será?

É isto

"Ontem vi-te, e esqueci-me de respirar."

É por encontrar frases como estas, que me dá um prazer vertiginoso deambular por aí.

segunda-feira, abril 30, 2007

Esta coisa ruim dos números


Esta imagem poderia, perfeitamente, ter sido tirada por um qualquer colega de turma, numa dessas quaisquer aulas, cuja azia até chega a ser chatinha: na de matemática. Também é a preto e branco que lhe aceno. Há muito que lhe perdi os contornos de qualquer cor.
Matemática… matemática… matemática, esta coisa que vezes sem conta me leva a ter suores frios, me arrefece a alma, e me deixa as sinapses com um défice de eficácia assinalável. Ela que me adia, imperdoavelmente, a vida.
Hoje a aula foi particularmente secante. Deduzir as fórmulas da trigonometria, não é, de facto, o meu forte. Nem isso nem os afins que envolvam números.
Mas a verdade é que, com ou sem azia, dava jeito aparecer, pelo menos, um dezito na pauta. Vou fazendo figas.

domingo, abril 29, 2007

Martelo a conta-gotas


Às vezes olho para ti e, sem qualquer conjectura possível, dá-me vontade de rir. Não sei muito bem do quê. Possivelmente de muita coisa ou de quase nada.
Sentir é parecido com isso. Há sorrisos aparentes, confundidos com os apeadeiros em que me habituei a sentir-te.
Depois, permanecem somente vácuos. Neles, o som dissipa-se porque tu deixas de existir. Escondeste-te onde desisti de te procurar. Fazê-lo é imperativo quando o cansaço dá lugar à necessidade, na qual s
ubsistem esforços necessariamente fúteis, travados numa luta desigual. Os obstáculos são saudáveis antes de ganharem raízes. A seguir a isso, apodrecem numa tentativa frustada de sobrevivência. Nesse momento, a inteligência elimina-os soberbamente.
Se as armaduras desse teu mundo, suportassem mais do que o teu frágil corpo, espremido de tanto cansaço inglório; as movediças aragens onde te perdeste de vista; os restos do teu carrossel; talvez valesses a pena por ti mesmo. Não por mim.
Saberás existir para além da moldagem a que te habituaste? E se amanhã, ao acordares, já não tiveres lugar para ti em ti?
Morrerás mesmo antes de teres vivido e, isso, pouco importará, pois nunca soubeste o que é viver.

sábado, abril 28, 2007

Verdades

"ERRAR É HUMANO.

INSISTIR NO ERRO É BURRICE."
(...)
Diz o povo e muito bem.

segunda-feira, abril 23, 2007

Perfeição


Uma imagem vale mais do que mil palavras?
Dizem que sim.
Eu gosto desta.
Sem este ritual, todos os meus dias seriam amargos como o fel.

domingo, abril 22, 2007

Visita Pascal

Hoje o padre passou cá por casa. É novíssimo, tem vinte e cinco anos. Foi ordenado diácono há pouquíssimo tempo. Com ele trouxe a tradição da visita pascal, que voltou a renascer.
Nunca um sacerdote cá tinha passado por casa, desde que me lembro. Calhou hoje. Benzeu a casa, convidou-me a beijar a cruz e, por entre dois dedos de prosa, regalou-se a comer o lancezinho que a minha mãe lhe tinha providenciado.
O meu pai não estava em casa. Nunca foi senhor de ser ligado a estas coisas da igreja, pelo que não fez questão de cá estar.
Foi basicamente, um fim de tarde diferente.

quarta-feira, abril 11, 2007

Hoje aprendi uma coisinha

Hoje fiz uma visitinha ao médico de família. Não é que as saudades apertassem, ou que a doença me fizesse pressão nos calcanhares, mas as burocracias têm gritos inglórios.
Aconteceu que aprendi uma coisinha depois de olhar, por coincidência, para a vitrina que embelezava o consultório: também existem testes para a menopausa! Não fazia ideia. Estamos sempre a aprender.
Um dia ainda vou testar essa modalidade. Deve ser giro. Giríssimo. Quase tanto como o xaile da minha avó, que é aos xadrezes e está à beira de ser patrocinado pelas Vans.

quarta-feira, abril 04, 2007

Hã?!

Ditou a votação para o concurso da RTP que, António de Oliveira Salazar, foi o maior português de sempre.
Que tenha sido um grande homem, sem ter sido um homem grande, eu concordo. O que discordo, na integra, é ter sido eleito como o melhor português de sempre. Não é o seu nome que coloco em causa, é o próprio programa que a RTP levou a cabo.
Por que carga de água é que haverá de existir o melhor português?! Não poderá ter sido Salazar equivalente ao D. Afonso Henriques, Pessoa e outros ilustres personagens?!
Os dizeres da bravura dos portugueses não estão, nem de longe nem de perto, concentrados num único homem.
Sem Vasco da Gama não haveria uma nova Índia, sem D. Afonso Henriques um Império, sem Pessoa um Portugal mais além, sem Salazar um país outrora com algum domínio económico. E sem o vasto conjunto de outras pessoas, igualmente importantes, não seríamos uma Nação.
Somos um bocadinho de cada rosto.
Portanto, levá-los a votos, é como comer um bife sem sal.

sábado, março 31, 2007

Foi bom. Muito bom.


Ali em baixo, ao cabo do terreno que me viu crescer, existe um pequeno ribeiro que corre livre. Quando era criança, costumava ir ao seu encontro a passos largos. Corria, saltava e os arranhões pelo corpo eram inúmeros. Às vezes ia até lá sozinha, sem dizer nada a ninguém. Gostava de ouvir correr a água, sem qualquer vestígio humano. Não aprendia nada em particular, mas despia-me de mim para mim.
Quando voltava a aparecer, a minha mãe já tinha o discurso preparado. Colocava nas feições faciais um ar insultuoso e eu acabava por ouvir das boas, pelo facto de desaparecer sem justificação. Contudo, repetia o trajecto na clandestinidade vezes sem conta.
A caminho, era costume encontrar cogumelos e trazê-los comigo como prémio. Alguns não prestavam mas eu, à revelia, colocava-os no colo e depois corria até a casa. Curiosamente, depois não os comia. Mas pintava-me de ouro, só para os apanhar.
Lembro-me que havia um castanheiro enorme, com largos anos de existência, detentor de uma sombra majestosa. Mas, não era pela sombra que lá gostava de passar. Atraíam-me as castanhas espalhadas no chão do Outono que principiava. Confundiam-se por entre a erva que começava a fraquejar e a perder a cor.
Ontem voltei a fazer este trajecto com o meu pai. Fomos com o intuito de apanhar agriões. Calcei os botins, saltei para a água e apanhei uns quantos.
Tinha saudades de ir ali abaixo respirar outro ar, sujar-me de erva, molhar-me.
Voltei a respirar liberdade como se tivesse sete anos. Foi bom. Muito bom.

sexta-feira, março 30, 2007

Consegues escolher?




A vida é uma viagem.
Há um rio e uma margem.
Onde queres estar?

terça-feira, março 27, 2007

O que vale é que o Zé Povinho come tudo!

Não há adjectivo possível para caracterizar a nova aposta da tvi: “A Bela e o mestre”. Detestável ainda é pouco. Sinceramente, não sei como é que em pleno século XXI, ainda se concebem programas assim. E o pior, as pessoas aderem. Recuso-me, prontamente, a condescender-me com excrementos avultados destes.
Gente formada, desce ao ponto de participar nisto, onde a falta de qualidade é demasiado evidente. Não consigo perceber. Caminhamos para a estupidez abusiva e ninguém me avisou.
Este povo come, miseravelmente, tudo. As séries dignas como o House dão a horas tardíssimas, mas este estupendo programa, passa em horário nobre. Isto é no mínimo fantástico. Palavra que é!

domingo, março 25, 2007

Sonho

Pelo Sonho é que vamos
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos
Pelo sonho é que vamos.
Chegamos?
Não chegamos.
Partimos.Vamos.Somos.

Sebastião da Gama (Séc.XX)

segunda-feira, março 19, 2007

Vómitos publicitários

Existem publicidades que me deixam com vontade de vomitar e onde a falta de qualidade estica, e muito, os limites do tolerável.
Falo da propaganda a produtos, nos quais se faz uma dobragem da voz. Isto porque se a original fosse mantida, o Zé-povinho como não percebia um cu daquilo, não comprava. Não é que assim perceba, mas soa-lhe bem.
É o caso dos cosméticos em que se emagrece sem mexer uma palha. Além da publicidade em si ser tão fútil que leva o meu cérebro para a senilidade, aquela voz insonsa que é um puro incentivo à estupidez gratuita, atrofia-me o sistema todo. A falta de originalidade é tal, que se o alvo fosse as crianças, desconfio que o “brinquedo” não saía das prateleiras do supermercado!
Pelo amor da Santa, acreditar no pai Natal ainda é como o outro. Agora nestas publicidades que são literalmente um bombardeamento com uma mensagem nas entrelinhas do género: “ligue já! O produto é uma merda mas eu sou mesmo boUa e tenho uma voz de veludo”, isso se calhar é como ter um carimbo “Sou estúpido todos os dias sem feriados!” estampado na testa, e pensar que é só uma comichãozinha sem importância.

sexta-feira, março 16, 2007

Armário Intrínseco

Há coisas que estão trocadas. Quer tenha sido a vida a trocar-lhes o norte ou puro capricho nosso, pouco importa. Aquilo que mortifica não é o facto de estarem trocadas, é não lhes conseguirmos incutir outra rota.
Estar incerta de conseguir uma coisa que se quer é tão desconfortável, que dói pensar nisso. Dói não haver a coragem necessária para a sacudir, dói mastigar e rebater a imprecisão, dói a ausência de uma resposta concreta. Dói!
Dói e custa a sarar, como se a ferida fosse abrir a cada dia, para apenas sobrar uma cicatriz feia e mal cozida.
Há um passado posto em revista quase todos os dias, como se fizesse parte de um amanhã.
É só nostalgia?

quinta-feira, março 15, 2007

Feliz aniversário, pai!


Exprimir um sentimento nem sempre é fácil. Às vezes as palavras são escassas, insuficientes, ou simplesmente fragmentos soltos que não revelam, nem por sombra, aquilo que está verdadeiramente contido nelas.
Pedaços de uma vida
Sorrisos soltos
Caprichos de criança
Ensinamentos sábios
Tardes primaveris
Coisas banais
Incentivos
Indirectas necessárias
Descontentamentos
Birras

E tanta coisa mais.
Por todas elas e por ti: Parabéns Pai!



12-03-2007

domingo, março 11, 2007

Música portuguesa



Mafalda Veiga
Cada lugar teu

Porque se há coisa que eu detesto é anglofonia excessiva, aqui fica uma música portuguesa que dispensa apresentações.

quinta-feira, março 08, 2007

Por nós


Dia da mulher. Hoje e sempre.

quinta-feira, março 01, 2007



“Por qualquer razão, a escrita, ainda que solitária, sem objecto nem desejo de partilha é, sempre, para uma audiência imaginária, para alguém a quem se quer dizer alguma coisa, para ter direito à última palavra e fechar num espaço curto o nosso imenso desejo de controlo.”

Isabel Leal

Axioma

"A maioria das mulheres não é mais interessante porque não está para isso.
A maioria dos homens não é mais interessante porque não consegue."

Encontro por aí alguns factos. Nestes dias, ouvi mais este.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Intermitências

O vento parece enfurecer-se com nada e dissipar-se em tudo. Mas isso é lá fora. Somente lá fora. Cá dentro não. O ritmo aqui é distinto de tudo. Até do hábito. Não sopra nada só porque sim, ou talvez não. Esta coisa sem nome e que os homens tão bem conhecem, move-se à margem das leis da sua própria criação. Não conhece barreiras e os estorvos só ali estão por se recusarem a estar na periferia de um ópio que custa a sarar. Encontra-se só por encontrar, como fugidia daquilo que não tem razão de ser porque não é.
Não é que as perguntas mudem com o tempo, mas as respostas, por vezes, são diferentes do tempo e no tempo. Talvez mudem por alguma razão que me escapa, talvez me encarem para se mostrarem bravas. Talvez isto ou talvez aquilo. A quantidade do talvez, oscila entre as brumas de uma querença e o maremoto da soberania. Talvez o acolá, ali, seja uma certeza incontestável. Porém, aqui, a escassos metros do que quer que seja, faz-me assim. Traz-me, molda-me e edifica-me.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Coisas boas da vida



Red Hot Chili Peppers
*Cabron*

Oh céus! Esta música é extraordinária. Quase tanto como aquelas férias e aquelas pessoas...
Para recordar até quando só existirem cabelos brancos na minha cabeleira!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Realmente, há coisas fantásticas!



































































































































































Aiiiiiiiiiiiiii (e espasmos afins) cavalheiros... cavalheiros... a quanto obrigais!



É basicamente esta a minha futura carta ao pai natal, coisa pouca... efectivamente!
Só porque a virilidade, de facto, é talvez a oitava maravilha do mundo, aqui ficam alguns exemplares. É pena não poder pôr todos. Mas fico certa de que os que faltam, estão bem representados.

Qual euro milhões qual quê, pah! Não custa sonhar... ;)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Dia oficial da materialização de sentimentos

Dia dos namorados.
Cortesias forçadas.
Gestos confundidos com as normas impostas.
Presentes estipulados.
Carinhos programados.
Mel e mais mel.
Tretas.
É o que este dia é: uma treta!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Finalmente SIM!

Finalmente, o país está a evoluir. O povo quis e a sua vontade foi soberana. O SIM está aí. Gostei de ver, mas acho vergonhoso, uma abstenção tão elevada. Se deixarmos tudo para os outros decidirem, poderemos reclamar do quê? É preciso opinar. As pessoas que se abstiveram são as primeiras a ter de evoluir e a aprender que o mundo onde estão também depende de si.
Somos pequeninos, caminhamos devagarinho, contudo chegámos lá. Bem-haja!

domingo, fevereiro 11, 2007

Votei SIM. Porquê?

Hoje fui exercer o meu dever cívico. Com o intuito de contribuir com a minha opinião para um assunto que acarreta questões que transcendem a legislação, lá estive a reivindicar a cruz no SIM!
A pergunta em causa é:
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Há uma clara subdivisão da questão em quatro perguntas:

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez?
Sim concordo, porque um filho não pode existir como fruto de uma ligação trivial; devido a um acidente de concepção ou por outro qualquer motivo erróneo. Tem de ser algo que se queira. Uma pessoa nasce com um dever e um estatuto que devem estar assegurados.
Além disso, apesar de na prática nenhuma mulher ser presa por ter abortado, pois é-lhe aplicada uma pena suspensa, a verdade é que fica com cadastro para toda a vida. Quando, por exemplo, concorre a um emprego, esse facto, quer queiramos quer não, não é abonatório para si.
Não se trata de liberalizar o aborto ao despenalizá-lo, trata-se apenas de não punir uma mulher se tiver decidido abortar. Liberalizar é dar com liberdade. Se despenalizar fosse equivalente a liberalizar, então estaríamos num pressuposto moral não ultrapassável. Não creio, que assim seja. É antes uma questão de saúde pública.
Votar não, é penalizar e proibir. Votar sim, é dar a possibilidade de escolha. Esta proibição, transporta um imperativo mais moral do que outra coisa. E a moral é no mínimo subjectiva. Portanto, não é de facto a melhor solução, porque assim fosse abrangeria todas as situações.

Se realizada por opção da mulher?

Se não for a pedido da mulher, é a pedido de quem? Não se trata de a mulher ser dona suprema da sua barriga ou não. O que não pode acontecer é relativizar-se o conceito de vida. Quer se aborte em caso de deficiência grave do feto, violação, ou por motivos de risco de vida para a mulher, a verdade é que se aborta. Será um feto, nas situações anteriormente descritas, menos vida do que um dito normal?
Se a lei em referendo for avante, quer isto dizer que é a instância individual de cada mulher que vai ser o juiz. Mais do que um juiz regido pelas leis humanas, é um juiz formado na consciência de cada uma. Talvez, o mais viável de todos.
Este é o grande motivo de eu votar sim.

Nas primeiras dez semanas?

Desde 98 que abortar independentemente da semana de gestação, é ilícito. Mais do que isso, é clandestino. Inúmeras são as pessoas que vivem deste negócio nas malhas da clandestinidade, edificando verdadeiras fortunas sobre aquilo que o estado não aprova: a liberdade de abortar. Ironicamente, acaba por as de tratar no SNS, com o dinheiro dos imposto dos cidadãos, quando a clandestinidade não corre bem.
Em dez semanas pode-se ter gerado parte de uma vida, mas em pouco minutos podem destruir-se duas. Assim sendo, este prazo possibilita a opção de escolha para se ponderar uma gravidez e decidir levá-la a termo ou não, sem pôr em risco a vida da mulher. Nos restantes países onde a lei foi avante, os prazos são variáveis. Estamos, mais uma vez, numa relatividade tornada, minimamente consensual, no prazo que foi a referendo. Se é ou não o mais acertado, isso não sei. Mas é o prazo possível.

Em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Os profissionais de saúde que se manifestam contra o aborto, procuram camuflagem em termos numéricos. Se olharmos para as estatísticas, facilmente se verifica que hoje, apenas 15% dos abortos acontecem no estrangeiro, em clínicas privadas, pagas a preço de ouro. Por quem pode, claro está. Dos que são feitos em território luso, a maioria já é realizada em estabelecimentos de saúde: 32,2% em clínicas privadas, 18,2% em consultórios médicos, contra uma minoria de 6,9% feita em hospitais públicos. Apenas 39,4% dos abortos são realizados em casas particulares. A lei é clara, quando exige que os abortos nos casos que fogem ao já estipulado, sejam punidos com prisão. Curiosamente, 45% destes são feitos pelos senhores doutores, contrapondo os 30,6% que são executados por parteiras. Caricatamente, tudo isto quando abortar é crime a diversos níveis. Além do referido, 22,7% das mulheres obtiveram informações sobre o local clandestino onde poderiam abortar, por intermédio de um profissional de saúde. Uma autoridade na matéria, portanto. E quando é uma autoridade a manter a ilicitude da sua conduta, então pouco mais haverá a acrescentar.

Nesta óptica, ninguém me pergunta:
Quando começa a vida?
Abortar é matar?
Concorda com o referendo?
Deverá ser uma mulher absolutamente dona do seu corpo?

Se estas questões não estão no debate, usá-las como argumento não me parece válido.
Pelo referido anteriormente, o SIM pareceu-me o mais razoável.
Espero, sinceramente, que a abstenção não prive a legalização da pergunta levada a referendo.
Votar é um direito, só possivel se for primeiro do que tudo um dever.

sábado, fevereiro 10, 2007

When love and death embrace



HIM
When Love and Death Embrace
Ele, pra ele e dele. Só assim.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Dois ó!


Ah grandes miúdos e graúdos! Uma noite de bom futebol e desportivismo que me agradou bastante. Dois ó!
Mas para ser tudo mesmo, mesmo... mas mesmo bom era ver o Diego a jogar por Portugal. Isso então era a perfeição. Quem sabe um dia. Por agora, gostei do que vi.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Grande reportagem

Há um jornalista da SIC que gosto particularmente. É ele Pedro Coelho. O gostar a que me refiro, retrata-se na maneira como manuseia cada palavra e a faz convergir para um discurso que aprecio bastante.
No passado domingo, tive ocasião de ver a reportagem, da sua autoria, intitulada de “Rosa Brava”. De facto, é uma grande reportagem.

Aqui

domingo, fevereiro 04, 2007

Assim... oficialmente virulenta


Em dezanove anos de existência, nunca tinha ido ao hospital por causa de uma gripe, nem sequer por causa de nada. À excepção de umas esporádicas cólicas de pré-adolescente. Contudo, aconteceu esta madrugada estrear-me nessas andanças.
Ah e tal, o que tu tens é uma brutal gripe, com direito a garganta inflamada e quarenta graus de febre. Foram mais ou menos estas as palavras do senhor doutor, ditas com nítida expressão facial e olhar ameaçador, de quem estava a passar pelas brasas e eu fui indecentemente interromper. Se não fosse ser má educação, acho que tinha ouvido das boas. Valha-me a educação, então. Adiante. Pensava eu que o vírus não queria nada comigo porque, na verdade, nunca tivemos grande afinidade, mas este ano o tipo deve ter mudado de ideias.
O senhor do estetoscópio, que por acaso até era o meu médico de família, lá me mandou fazer respirações ritmadas intensas, tirar a língua numa direcção pouca definida para um farol ser projectado na minha cavidade bocal. O homem parecia aqueles guardas nocturnos que rebuscam não sei muito bem o quê, mas como eles também não sabem, não há crise. Bom, depois lá conclui que sim senhor era caso para receitar antibiótico, xarope e Aspegic. Pois claro, qual mel e xarope de cenoura. Quem não quiser ter o título de virulenta, tem de atacar o “bicho” com toda a artilharia possível.
Agora com este arsenal de medicamentos, algum me há-de fazer efeito. Pelo menos assim espero. Se não, dias difíceis se afiguram e é capaz de ser chatinho! Mas como há sempre um lado positivo da questão, amanhã faço gazeta à escola. Aliás, vai ser a primeira vez na vida que vou faltar à escola por estar doente. Não sou muito disso, mas lá calhou.
De facto, há estreias para tudo.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Fantástico!

The Kelly Family_ I Can't Help Myself
E dizem vocês: Epa, esta é velhinha como o caraças! Pois é, sim senhor.
Contudo, o tempo não lhe conseguiu roubar a fragância de outrora. Aquela das tardes primaveris da meninice, da inocência de um sorriso, da sinceridade de um sentimento, das coisas verdadeiramente únicas e irrepetíveis . Enfim, aquela que ficou perdida num qualquer esconderijo da escola primária e que hoje só o colo da saudade a acaricia com mimos.
Palavras para quê... É um espanto!

domingo, janeiro 28, 2007

Outros tempos, outros amores...

Nestes dias, a minha avó pediu-me para a ajudar a procurar o cartão do utente, perdido algures na sua mala. Como já lhe conheço os compartimentos de cor, ajudei-a prontamente. Naquela busca intensiva, achei por mero acaso, uma carta que lhe foi endereçada há sessenta e sete anos, tinha ela na altura dezoito. À primeira vista, parecia um singelo papel a juntar à restante tralha que lá reside. Porém, achei curioso o facto de estar tão bem dobradinho, que resolvi desenrolá-lo. Quando comecei a lê-lo, só parei no fim. Estava tremendamente bem escrito para o grau de estudos da época. Começava assim:
“Menina Conceição, levarei rodas de parvo por lhe escrever, mas prefiro correr esse risco do que sepultar à nascença estas palavras em mim”. Depois continuava com uma subtileza que hoje em dia tenho dificuldade em encontrar. Linha após linha, notei por detrás daquelas locuções, um sentimento coeso. Não eram palavras soltas ou dizeres alheios cujo único intuito é encher o papel, pois estava tudo encaminhado de tal forma que me causou um friozinho na barriga. Era nítido o carácter viril da época, saltando à vista uma educação requintada. Terminava com a seguinte frase: “Não tenha vergonha de falar comigo no fim da missa. Lá a aguardarei”.
Após ter lido aquela inconfidência, já desgasta pelo tempo, olhei para a minha avó e antes de qualquer tentativa de comentário, ela esboçou um sorrriso comedido e disse-me: “Já lá vão uns anos, mas fiz questão de a preservar”.
A carta deu em namoro, mas não em casamento. Coisa rara na época. Tentei averiguar o motivo do rompimento da relação, ao que conclui que a força desmedida dos meus bisavôs para que tudo terminasse, foi superior a qualquer sentimento. O homem daquela gentileza toda morreu e os meus avós acabaram por se casar.
Fiquei a pensar em muita coisa, como no suporte de uma relação apenas consumada à janela ou eventualmente por esporádicas visitas a casa, sob a alçada minuto a minuto dos pais.
Em pouco mais de sessenta anos, o mundo deu uma reviravolta gigantesca. Hoje já ninguém namora à janela, nem tão pouco vai à missa com um lenço na cabeça. Mas será que o amor naquela época não era, realmente, à prova de bala?
Actualmente, a facilidade das coisas e a leviandade da própria maneira como se gosta para no “minuto” seguinte se ser indiferente, destruiu grande parte da beleza que o amor acarreta.

domingo, janeiro 21, 2007

Por estes dias... esta



The Kooks - She Moves In Her Own Way

So at my show on Monday
I was told that someday
You'd be on your way to better things
It's not about your make-up
Or how you try to shape up
To these tiresome paper dreams
Paper dreams honey
So now you pour your heart out
You're telling me you're far out
You're all about to lie down for your cause
But you don't pull my strings
Cause I'm a better man
Moving on to better things
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
And at the show on Tuesday
She was in her mindset
Tempered firs and spangled boots
Looks are deceiving
Making me believe it
And these tiresome paper dreams
Paper dreams honey, yeah
So won't you go far
Tell me you're a keeper
You're all about to lie down for your cause
But you don't pull my strings because
Cause I'm a better man
Moving on to better things
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
Yes our wish's that we never made it
Through all the summers
We kept them up instead of
Kicking us back down to the suburbs
Yes our wish's that we never made it
Through all the summers
We kept them up instead of
Kicking us back down to the suburbs
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day
But uh oh, I love her because
She moves in her own way
But uh oh, she came to my show
Just to hear about my day

Neste solarengo domingo de Inverno, acordei com uma vontade louca de ouvir esta música. Tudo nela é um brinquinho: os meninos, a letra e o ritmo.

sábado, janeiro 20, 2007

Abaixo esses ingredientes senis!

Estão a ver aquela mistura de ingredientes, para muitos deleitosa, à qual a comum boca dos mortais reage com um salivar que de comedido pouco ou nada tem, e que se dá pelo nome de bolo? Sim, essa mesmo. Pois bem, eu detesto-a! Não é que não seja gulosa, porque o sou e muito. Mas farinha, ovos, açúcar e essas coisas mais que envolvem a forma antes de ir ao forno, não me seduzem minimamente. Sempre que ofereço esta amálgama ao paladar, ele, invariavelmente, obriga-me a decretar-lhe uma acção de despejo. Mesmo que as doses misturadas e a própria mistura seja diferente, não acha qualquer piada. Vá-se lá entendê-lo.
Ainda se fosse um chocolatinho, um kinder barritas por exemplo… Aí o cenário era outro. Imaginando que o mundo tinha sabor a chocolate em tarde infantil de descobertas ingénuas, eu estaria na primeira fila pronta a digeri-lo. Garantidamente.
Nem que eu viva cem anos e que a Lili Caneças consiga sobreviver sem plásticas, um bolo superará um magistral chocolate. Ou em bom português: nem que a vaca tussa!

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Casualidades


Perdi o conto às vezes que de sorrateiro chegavas sem eu pedir, trazendo contigo sorrisos forjados a um lado do avesso que nunca deixaste que te conhecesse. Depois, no mesmo ápice com que um olhar se confunde com uma acção, viravas as costas por saberes que se o desejo de eu te levar até a um esconderijo nosso pudesse ser real, estaríamos os dois perdidos e sem vontade de encontrar o que quer que fosse.
A saudade deve ser a via mais longa e íngreme de se percorrer. Por maior que seja o fôlego, a combustão imobiliza qualquer tentativa de avanço. A certa altura, andamos só para vencer o frio. Reparamos que as mãos têm frieiras, o rosto está polido devido à gélida aragem e os pés teimam em renunciar ao peso do corpo. Somos atirados para a valeta sem que nada nem ninguém nos tenha empurrado. Só quando ouvimos o barulho dos que passam pelo alcatrão na via principal esquecendo as valetas, é que compreendemos que seríamos lixo comum, caso tudo se resumisse a uma única estrada onde as abas não encontrassem local para existir e, na qual, as valetas fossem apenas um pedaço a amputar.
Os dias vão, levando consigo a vontade e deixando somente um corpo entregue ao fracasso carnal. Posteriormente, numa qualquer hora de ponta apanhamos boleia. Contudo, temos peso a mais connosco para poder avançar. Por isso, vamos progressivamente eliminando o que nos parece estar só por estar. Se ao menos fôssemos um usual baú,
cujo conteúdo estivesse a abarrotar de coisas que facilmente se confundissem entre tantas outras, poderíamos desde logo seguir viagem. Mas não, porque é no umbigo de uma espécie de morfina que encontramos guarida.
Por fim, quando tudo se resume à incapacidade de sequer soltar um grito, ficamos a meio do caminho e isso pouco interessa, pois já perdemos muito mais do que carga física. Perdemo-nos. Perdi-te.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Grande malha!



Red Hot Chili Peppers - Snow (Hey Oh)

Não me canso de ouvi-la.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Coisas minhas

Gostava de saber sussurrar a mim mesma uma série de segredos só meus, mas às vezes parecem demasiado desmembrados para consentirem uma partilha, ainda que esta seja de mim parar mim. Crescentes agudizações dissolvem-se nos gritos mudos que não dou, nos passos contidos de uma caminhada alucinada pelo mundo ao qual me habituei.
Gostos confundidos, recantos não partilhados, insignificâncias que só a vida me conhece. Assim, só assim. Neste vagão pouco nítido, indago o meu ser com diligência. Sou um apêndice consentido no mundo e ele meu. Estamos em simbiose nos secretismos aparentemente fúteis. Torno-me eu nas noites recatadas, nos sorrisos rasgados, nas estrelas que não dependem, um só instante, de mim. De mim para mim, não há um espaço mensurável, nem uma comunicação falhada. Há intermitências escondidas, que desfolho e por vezes sei de cor.
Procuro-me e deixo que me procurem. Em mim pelo que sou, fora de mim pela dose que me administram. Gosto-me. E não sei gostar não amando a
entrega, onde não me dou por exigir estar de corpo e alma. De corpo no desejo e de alma no empenho.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Memória de elefante

Tive um professor de Psicologia que falava, por diversas vezes, acerca dos livros de António Lobo Antunes, um médico especializado em psiquiatria por pensar que era parecido com literatura - palavras do próprio - Naquelas aulas era comum ouvir elogios recorrentes a uma escrita fantástica aliada a um conhecimento invulgar.
Certo dia, veio à baila a obra “Memória de Elefante”, o seu primeiro romance, datado de 1979. O nome ficou-me na memória, longe de ser de elefante, e por cá tem andado. Acontece que hoje fui à biblioteca, e rebosquei o dito livro no meio dos ínumeros que abarrotam aquelas prateleiras. Acabei por o encontrar e trazê-lo comigo, para com ele iniciar um subterfúgio aparentemente promissor a avaliar pelas seguintes palavras existentes nas linhas primordiais:
_ Senhor Morgado, pela saúde dos seus e dos meus tomates não me lixe mais com o caralho das quotas durante um ano e diga à Sociedade de Neurologia e Psiquiatria e amanuenses do cerebelo afins que metam o meu dinheiro enroladinho e vaselinado no sítio que eles sabem, obrigadíssimos e tenho dito. Ámen.
Bom, isto foi somente a página doze. Veremos o que me espera nas outras. Mas tem pinta, diga-se.
Se qualquer pessoa proclamasse tal recanto obscuro da língua mestra de Camões, teria gratuitamente o título de mal educado e parvalhão. Mas estando isto num livro de renome, a leitura é eminentemente produtiva. Portanto, a editora lançou e a malta adere. Vou descamisar estes dizeres para ver que palavras tão notórias são estas.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Zé-povinho, ciência e deus

O atestado de adolescente surge quando somos obrigados a questionar o mundo. Fazemo-lo numa tentativa de perceber o que nos é extrínseco e edificar o que é intrínseco, por forma a não papar, pura e simplesmente, as opiniões alheias. Questionar é aquilo que dá sabor à vida. Por isso, questiono-me sobre muitas coisas e às vezes, como hoje, sobre deus.
A religião entra onde a ciência se cala. Não se invoca deus para explicar a razão pela qual as rodas de uma bicicleta giram, nem por que é que está céu azul num dia de calor intenso de verão. Não se coloca deus nessas coisas, pelo facto da ciência explicar. Mas, a partir do momento em que não se consegue apontar o porquê, concebe-se um deus. Sempre foi assim desde os primórdios da humanidade e assim será, pois a ciência nunca decifrará tudo e haverá sempre necessidade de a mistificar. Quando não há explicação objectiva, existe uma entidade sacra como motor impulsionador de tudo. É assim a comum ideia de deus: Ele está em tudo e é o tudo. Sendo o tudo não é o nada. Este último, diz o povo em jeito falacioso, não é relevante se pensarmos no todo. Será, porventura, a insignificância da meretriz.
Ora, assim sendo, o deus do Zé-povinho não é o mesmo deus da ciência. O Zé-povinho, que é a figura elucidativa do vulgo, crê no mistério da vida segundo Jesus Cristo. A ciência escarnece o Zé-povinho e mostra-lhe que Adão e Eva não são mais que uma mera parábola. Ao que ele ri, pestaneja e só não solta uma palavra indecorosa porque é bem-educado. Mas, pensa para consigo, que com estas ideias, afirma ele novatas, o mundo caminha para uma ida sem retorno. Uma ida à heresia abusiva. É a mesma coisa que dizer a uma criança do primeiro ano que também existem números negativos. Ele certamente olharia com o espanto próprio da idade e não compreenderia. Afinal o mundo dos crescidos não o seduz grandemente.
O Zé-povinho acredita na igreja porque recebeu a sua doutrina desde pequenote e nunca a questionou verdadeiramente. Confia na imaculada paixão de Cristo como tábua rasa para a salvação de si mesmo. Reza terços, pede a deus tudo e mais alguma coisa. Mas, bem lá no fundo, não O consegue conceber nem apontar as razões para a sua crença.
Contrariamente a este, o deus da ciência é um deus anti senso comum. Se troveja não é porque Jesus está a ralhar. Chove porque é uma questão de equilíbrio natural e indispensável. A perfeição desse deus está, portanto, na complexidade da vida. Do planeta que nos alberga e do resto do tal todo. Agora o todo faz sentido, por não ser taxativamente o que resta das outras partes que não estão incorporadas na somatória. Interessa rebuscar, procurar, investigar com fracassos desmedidos ou pequenos triunfos. Estaríamos na idade da pedra se não se tivesse acreditado que era possível ir à lua. Mas, a verdade é que se avançou quer fosse a medo ou com coragem gratificante. Fomos à lua e viemos. Pisámos o universo além Terra. Ousámos contestar as leis que durante muito tempo estiveram sob domínio teoricamente não alcançável, apenas como constituinte do segredo do(s) deu(s). A ciência acredita no não crível e sustenta as bases dessa crença, não mítica mas terrena.
Assim, a ciência e o Zé-povinho, duas formas distintas de crer na existência, poderiam completar-se mas estão em campos não complementares e, possivelmente, sisudos. Esta e o conhecimento vulgar representam, talvez, a matéria mais discordante que a humanidade conhece. Contudo, nascemos para o senso comum, mas é com a ciência que vivemos.
Não obstante, todas as nações acabam por se objectar acerca da vida para além da morte. Aqui não entra nem Zé-povinho nem a ciência, pelo menos directamente. Morreremos apenas para dar lugar aos outros ou partiremos para outra morada não perecível? É precisamente neste ponto que há necessidade de acreditar no que não se vê.
A vida não depende de quaisquer crenças. Gira por critérios bem definidos e por vezes desconhecidos. Rege-se por si, não necessariamente por alguém. Aprendeu sozinha como se construir e como construir os outros. Dia após dia tem mutações, mas nunca deixa de ser o leme de tudo. E, quando o homem a quer igualar, ela cinge-se à sua infinita grandeza e reduz esta criatura à insignificância do seu ser. Mostra-se secreta em alguns domínios como o da morte ou não vida. Verosimilmente até nem tem secretismo algum porque não tem de haver, por força da obrigação, vida depois desta que nos constitui. Haverá, no entanto, sempre a necessidade de acreditar que sim. Já dizia António Gedão: “ O sonho comanda a vida”.
Alimentar a crença num deus, é alimentar a pequenez humana tentando sobrepujá-la a um plano divino de perfeição, não atingível. Contudo, a necessidade agudiza o desejo e fá-lo sustentar, desmesuradamente, a crença no invisível afim de apaziguar limitações humanas.
Crer não é nem pode ser um acto leviano. Existirão, porventura, deus levianos.

domingo, janeiro 07, 2007

E o meu voto foi para...

Colosseum (Roma, Itália)






Eiffel Tower( Paris, França)





Great Wall(China)




Machu Picchu (Peru)





Pyramids of Giza (Egipto)




Sydney Opera House (Sydney, Austrália)






Timbuktu (Mali)







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