quarta-feira, novembro 09, 2005

Míseras décimas: uma batalha épica

Quando se abordam jovens, relativamente às suas projecções futuras de entrada na faculdade, com a questão: “o que gostarias de seguir?” é fácil constatar-se que grande parte daqueles que no secundário acabaram por seguir a área das ciências, possuem elevadas ambições. Confesso que tenho algum pasmo, em ouvir muitas vezes a resposta “Medicina”. É certo que o grande entrave a esta opção é a média de candidatura, que ainda assim para alguns, não é propriamente um problema. No entanto, outros há, que apesar da batalha infernal que travam para conseguir fazer render cada gota de dedicação ao estudo, e apesar de possuírem capacidades intelectuais evidentes, ficam reduzidos à frustração de verem o seu esforço inútil.
É claro que, as capacidades de uma pessoa não se podem cingir a uma mera pauta de classificação de uma escala inconclusiva, mas a verdade é que no momento de acesso ao ensino superior, centenas de jovens não passam de “carne para canhão”. Esta expressão talvez seja um pouco grotesca, mas é o espelho da situação. No caso concreto de Medicina, considero extremamente descabida, para não dizer risível, que a média seja tão alta. Senão vejamos, a média final de secundário não é de forma alguma, uma nota que reflecte qualquer aptidão em especial, mas antes aquilo que o aluno conseguiu produzir na globalidade. Mas a globalidade não tem que ser obrigatoriamente o simples produto das partes que a constituem. Ora, até as crianças sabem que conseguem fazer melhor umas coisas do que outras, mas não é por isso que as deixam de conseguir fazer. Se colocarmos duas crianças numa corrida, é natural que uma chegue primeiro, o que é antinatural é que a que chega em segundo lugar, não seja igualmente vista como capaz de superar a prova. Ora, parece que o mesmo se passa na corrida de acesso ao ensino superior, as coisas também são um tanto ou quanto antinaturais, pois ainda está para provar um aluno com média de 15 não seja tão capacitado como um de 18.
Não se pode ignorar que a avaliação depende, não só mas também, da forma de avaliar de cada docente, porque esta é um processo complexo em que o desfecho não pode ser exclusivamente atribuído ao aluno. O professor é uma espécie de juiz, que perante cada tese tem a função de ponderar os prós e os contras, e ao fazê-lo analisa os factos mas fá-lo segundo a sua perspectiva que é sempre discutível. Com isto, o aluno vê-se sujeito a “mostrar o que vale” numa escala quantitativa e não qualitativa. Então mas o que é a capacidade de cada um, uma quantia meramente mensurável? Parece que sim, e assim sendo, no momento de entrada nos cursos somos o que produzimos, e não aquilo que somos capazes de fazer.
Posto isto, acho caricato como é que depois se argumenta que um aluno não entrou para Medicina, ou o que quer que seja, porque não teve capacidade para tal. Enquanto o sistema se reger por estas normas, não há outra hipótese do que ter uma profunda náusea pelas leis que nos governam. É preciso reponderar a lendária lei da selva, que foi destorcida e aplicada ao território do Sr. rei: a lei humana. Aqui aquele que sobrevive não é o mais eficaz mas o mais perspicaz.

8 comentários:

Bpombas disse...

Sim é uma realidade,que ano para ano tem vindo a acontecer.
Penso que há muito para fazer em termos de ensino em Portugal,e tu tocas-te num problema que afecta milhares de estudantes,"matando" os seus sonhos que vida profissional.
Parabens pelo artigo,muito bom, e bem redigito.
bjs

Ruben disse...

Este artigo está um éspectáculo, representa uma realidade nas escolas e nas avaliações dos tempos modernos. Este artigo focou muito bem não só o sofrimento e angústia dos alunos como também a subjectividade dos professores que cordenam as notas dos alunos como "juizes". Muitos parabéns tá mesmo muito interessante e muito bem estruturado.

pikinina disse...

está bestial td u k diz é vdd, concordu plenamente. muitos de nós veêm-se arrasca para entrar na faculdade principlamente us k gustariam de entrar, aconteceu ixu com um amigu meu, k ao longu do secundáriu tirou sp média de 18 ao xegar ao 12.º anu fez u exame nacional k lhe baixou a média para 15, ficou bastante triste pois u seu sonhu era ser médico de clinica geral mas agora teve k ir para medicina dentária para n estar a repetir mais um anu, continuemos a opiar tdx estes k protestam

Anônimo disse...

agora vou amandar aki o decente esta gente em vez de andar a estudar anda aki a escrever estas cenas
pareçe ke andam a fumar droga deviao ir ao medico ou entao aprender a escrever por aki uma pornografiazinha para animar o pessoal

Angelo =) disse...

Oix.. tive ler este texto no teu blog.. e tou bem de acordo com o que dizes.. mas há uma cena nao sei porque há estudantes que estudam e estudam e tiram o curso que querem, mas nao conseguem arranjar emprego.. ai é que esta um grande problema nesta sociedade portuguesa.. So arranjam medias altas e depois nao dao para nada, porque é que as medias aqui em medicina sao a cima de 18? e em espanha sao 14? Ca em portugal vao buscar medicos espanhois, mas porque? Nao tem a ver com a media mas sim o sistema de ensino... ha muita coisa aqui neste pais que nao esta bem.. Por exemplo as medias na maioria dos cursos, uma pessoa farta.se a estudar para que? para nao ter emprego? :( é o que se ve ca em portugal.. desculpa por dizer isso, mas o que dizes ai no teu texto tem uma das versões, mas nao te eskeças das mais fortes.. :) Vá espero que nao leves a mal, nos somos os mais novos aki e temos ver se mudamos este regime escolar.. FORA O REGIME ESCOLAR ACTUAL.. DESÇAM AS MEDIAS!! :D vah! fika bem, o teu blog ta fixolas :)

Ines disse...

tem mt razão, temos de acabar copm isto, n é justo e se vores a ver todas as pessoas k tem medias de 19 nunca vaopa medicina!! e realmente injusto, e depois vem espenhois pra ká trabalhar
pk nos somos incompetentes ao ponto de n baqixar as medias, e por pessoas no desemprego e ainda pior deixar entrar espanhois pa medicina, uma pessoa vai ao medico e n percebe nd do k se dix!!, qt mais em espenhol!!!!! daki pouco nem moral temos, nem de portugal somos, nem nacionalidade teremos, abaixo a esta ditatura!!!!

Anônimo disse...

Oi...
Bem, é um facto k a média está alta demais... Mas também é verdade k mts kerem ir para medicina por razoes erradas... O prestigio, o dinheiro e o emprego garantido falam mais alto... É por isso k temos milhares e milhares a kerer ir para medicina. Agora, a verdade é k mts dos k entram também sao desses... A solução ñ é assim tão simples... Simplesmente pk tem a ver com as próprias condições das faculdades, k pura e simplesmente n podem suportar mais alunos (facto k mt gente desconhece), com a ordem dos médicos k não ker deselitizar a profissao e com a própria população em geral, k se continua a curvar aos olhos do sr. Dr., tipo supremo. Uma última coisa... Relativamente ao ensino médico, não comparem Portugal com Espanha nem com outro país europeu. Por um motivo muito simples: o ensino médico em Portugal é considerado o melhor da Europa e faculdades como a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra figuram no Top do ranking mundial...

Anônimo disse...

Tenho de confessar que nao concordo quando dizes que a media para entrar em medicina e descabida por ser demasiado alta! O problema nao esta na media mas sim nakeles que ao entrarem nao completam o curso ou depois nao tem onde o exercer!
Ainda no outro dia, no telejornal, entrevistaram o porta-voz da comissão de estudantes da faculdade de medicina da u.porto e ele respondeu a esta mesma questao dizendo que o nºde estudantes que frequentam mediciana e mais que suficiente e k os estudantes sao contra a proposta para baixar a media, pois a saude, mais que qualquer outra ciencia, exige competência e segurança e, como tal, deixar entrar um maior nº de alunos seria um erro grave pois levaria à pluralização dos domínios técnico-intelectuais, nao favorecendo aqueles que frequentam o curso e que o alcançaram com o devido mérito, pois só levaria a uma maior concorrencia por um emprego por si so ja dificil de encontrar!